terça-feira, julho 19, 2011

O Princípio

No princípio Era o Verbo, e o Verbo Estava junto a Deus, e o Verbo Era Deus. E Ele Viu o Rosto na água do lago e O Reconheceu. E então Correu até Mim, e Grunhiu, Apontando para o lago. Fui até lá, e Vi. Era Eu quem Estava no Lago. Ele se Aproximou e então Entendi. Nós Estávamos no dentro lago, Nós Éramos Nós. Nós Éramos. E assim, Nasceu o Verbo.
Tivemos alguns problemas no início. Todos Queríamos Ser. E Éramos. Outros Estavam por fora e sempre se Confundiam entre Ser e Estar. Alguns visionários associavam Ser e Ter, e por fim, Disseram que Eram eles quem Tinham os meios. Uns, mais revolucionários, não se Contentavam em apenas Ser, e sim Tornar-se. Estes logo Tornaram-se proscritos e Foram Fundar uma dinastia atrás de um muro. Afinal, eles também Sentiam medo daqueles que Tinham a força. Fora isto, não Existiam muitos problemas. Até que um dia alguém Chegou Gritando “Eu Minto!”. E Era verdade.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Apenas uma Palavra

Um amigo me falou de uma banda alemã Wir sind Helden e o primeiro clipe que apareceu foi o da Música "Nur Ein Wort"... A letra parece que foi escrita diretamente pra mim...Embaixo segue uma tradução bem "mais ou menos" para o português que, como não sei alemão, foi feita a partir de uma tradução para o Inglês (Original e tradução para o inglês=> Just one word )


"Apenas uma Palavra

Eu vejo que você pensa
Eu penso que você sente
Eu sinto o que você quer
Mas Eu não escuto você, Eu

Tomei emprestado um dicionário
Gritei de A a Z no seu ouvido
Eu “pincei” mil palavras confusas
Que peguei de sua “capa de livro” (OK. Não consegui traduzir, pois não sei alemão pra pegar o contexto... ”Sleeve” é tanto luva quanto capa de livro)

E aonde você quer ir
Eu estou me agarrando em suas pernas
(“tradução da tradução direta: “ Se você tem que estar caído em sua própria boca, por que não na minha”. Trata-se de um provérbio, que não faz nenhum sentido mesmo em Alemão... Poderia significar figurativamente: Se você nunca fala, por que não falar comigo ou talvez até mesmo me beijar???... Não sei”” Se ele não sabe, nem eu ;-))

Oh, Por favor, me dê apenas um “oh”
Por favor, me dê apenas um “oh”
Por favor, me dê apenas um “oh”
Por favor, me dê apenas um
Por favor, me dê apenas uma palavra

É loucura como você permanece em silêncio
Como você inclina sua cabeça bonita
E desta maneira oferece ruidosamente para todo mundo e para mim
Seu ombro gelado

Seu silêncio é sua barraca
Você a põe no meio do mundo
Aperta os laços e maravilha-se
Mudo
Quando uma garota tropeça nela à noite

Aos seus pés estou falando [pondo a mim mesma em risco /arriscando o meu pescoço]
Eu quero produzir grandes ondas
Em suas águas profundas
[provérbio: “Stille Wasser sind tief” = Águas tranqüilas correm nas profundezas, significando que pessoas silenciosas/discretas têm muito a dizer/oferecer. Então, se ela quer produzir ondas nas águas dele, então significa que elas não são mais silenciosas, então ou ele fala ou descobre-se que ele não tem nada a dizer! Que fora!]

Oh, Por favor, me dê apenas um “oh”

Em meu sangue as endorfinas
Estão formando bolhas
Quando atrás de seus silenciosos
Olhos de lebre pensamentos estão competindo "

Um tapa na minha cara

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quinta-feira, outubro 23, 2008

Esta foi a homenagem aos ausentes que fiz, na ocasião de minha formatura em Informática

"
Homenagem aos Ausentes

Queríamos que estivessem aqui, assistindo da platéia...Talvez chorando, como muitos dos presentes que daqui vejo..talvez sorrindo...Depois, nos abraçaríamos...talvez como pais e filhos, talvez como amigos...
Mas a vida tem destas coisas, vocês sabem. Vocês tiveram que ir para outro lugar...

Afinal, Ausência e saudade são os sentimentos essencialmente humanos. Mesmo Deus, apesar de sua onisciência, com toda a sua onipresença jamais poderia realmente entender o que é ausência.”

Pois Deus quis que vocês despertassem do sonho chamado “vida”, para que pudessem observar o nosso sono, e para que nós aprendêssemos aquilo que nem mesmo Ele conhece...Ausência. Pena que , para nós, é sempre cedo demais para este despertar..

Mas quero pensar em ausência, saudade como que um poema de Carlos drummond de Andrade, que lerei (reproduzo) agora


-Poesia –Carlos Drummond de Andrade
Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência,
essa ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim. (Carlos Drummond de Andrade)
_________________________________________________________
Pois sabemos que, enquanto nos lembrarmos deles, eles sempre estarão, pelo vazio que sentimos, presentes em nossos corações.

Agradecemos aos ausentes pela vida, pelo apoio, pelo exemplo. Obrigado por terem feito parte das nossas vidas, mesmo que por um breve período. Obrigado por tudo

domingo, junho 04, 2006

Da série..nada a ver


O Urubu Lateralizado

Urubu que Corre de Lado
veio correndo pela estrada.
Lateralmente conheceu
Rapidamente na calçada
Um Gato Chat Chateado
Discutindo com uma Jamanta desenfreada
A falta de um “Desolé” da desembestada.

Urubu que Corre de Lado
Veio correndo pela estrada.
Diagonalmente passou pelo buraco
Penas sujaram-se no charco
Fedendo como um sovaco

Urubu que Corre de Lado
Veio correndo pela estrada.
A meio caminho se estrepa
Numa estripulia de uma Pedra Careca
E de repente se envereda
Para fora da estrada
E cai de cara prostado.

Urubu que Corre de Lado
Que vinha correndo pela estrada
Agora está caído na praia.
Bico na areia,
Olho na toca alheia,
A Ave conhece
Um siri que vagueia
“Siri Sirigaita Seriema Serigüela,
A seu dispor, meu senhor.”
“Vendemos Gato por lebre
Vaca com febre,
Gambás que não fedem,
Papo de jacaré amarelo
Tinta Amarelo-jaca verde-sangue
Gnomos de mangue,
Anões de jardim,
Anteras de quintal,
Glutões de quindim
E etc e tal”
Falou-lhe o crustáceo,
Oferecendo psitacídeo por galináceo.

Urubu que corre de lado
Com a cara atolada
Que de bobo não tem nada
Corre dali apressado
Pois pra quem come calango,
Urubu é frango.
E assim finda a jornada
À beira da estrada
O Urubu que corre de lado
Ao lado do umbu,
Descansa parado o papo
Papeando e papando
Um repasto de papo de pato
Empapado em um jornal papal
Enquanto o gato “chat” chateado
Chateia e xaropa com o papo
Pássaros que passam passeando
Pela ladeira da ladina raposa
Que lapeia pela trilha pastosa.
No pasto em que lapeia-se os burros,


Urubu que corre de lado
Está voltando pela estrada
Reencontra a Pedra Careca
E coloca musgo em sua testa
Fica a rocha pronta pra festa.

Passa adiante e vê o buraco,
Limpa c’as penas o charco
Relembrando o siri velhaco

Encontra o Gato Chat Chateado
Ainda praguejando na estrada
Dizia que a jamanta que o fizera chato,
Casou-se lesbianamente com uma carreta
E o deixara achatado,
Vociferando “Diable!”.
“Excuse moi, je ne parle pas Français”
Disse o Urubu pelo canto da boca
arrastando para canteiro
O gato chato e chateado.
E pela tangente
Seguiu mais um bocado.

E assim acaba o poema,
Sem citar nem uma ema
E nem usar uma trena

domingo, maio 14, 2006

Escapismo


Esta historinha começou a ser escrita momentos antes de uma palestra corporativa. Já conhecendo previamente o assunto (na verdade “como” o assunto seria abordado, o que faz uma grande diferença quanto prestar ou não a atenção em uma reunião...) e não querendo simplesmente sentar no fundão e carimbar o passaporte para o mundo dos sonhos, escrevi esta história para “escapar” da reunião, sem constranger o palestrante. Começou assim:

“Um cachorro andando pela rua encontra uma peça de roupa suja que não foi lavada em casa...” Taí um bom começo para uma história escapista, mas vamos melhorar mais um pouco: Imaginemos que tanto o cachorro quanto a roupa falam, só que o cão “ladra” em alemão e que a roupa, talvez por culpa da moda, talvez por causa de quem a usava, “fedesse” em francês.
Imaginemos também que o cão seria um pastor alemão, cujo dono era um diplomata e por um motivo qualquer estava solto na rua, que havia um gato siamês suíço na cena, “miante fluente” em francês e em alemão (pelo menos era o que o bichano alegava...) e gentilmente se portou como intérprete, apesar dos protestos do cachorro. Acho que, depois destas ressalvas, podemos continuar.
Continuando: “O cachorro encontra a peça de roupa suja. A roupa estava tão suja e fétida que qualquer ser humano normal sentiria o mal-cheiro dela a 100 metros de distância. Logo, podemos imaginar que tipo de impropérios o cão soltou ao distraidamente esbarrar o nariz no trapo sujo. A roupa, é claro, se sentiu ofendida e “gentilmente” respondeu algo parecido (era uma roupa muito boca-suja), embora não tenha entendido exatamente o que o cachorro falou (é de senso comum que não é necessário saber alemão para entender um xingamento em alemão, mesmo que tenha sido dito na realidade um elogio. Já em francês, é uma tarefa um tanto complicada. Quem já ouviu bandas de heavy-metal ou hip-hop francês e coisas do gênero sabe o quanto fica estranha a “suposta” agressividade... ô lingüinha fresca). Obviamente, o cachorro não entendeu nada do que a roupa falou e ficou com cara de ponto de interrogação. Nisto, um gato que acompanhava a cena, por acaso “dono” de um embaixador vizinho ao dono do cachorro, resolveu entrar em cena. Não sei por que cargas d’água o gato entrou na história (talvez para tirar uma com o cão, sei lá), mas graças a ele a história pôde continuar sem que o cachorro continuasse com cara de tacho nem resolvesse estraçalhar a roupa”.
(Pausa para o coffee-break). É importante fazer esta pausa, antes de continuarmos o escapismo e a história.
Por que é importante esta pausa? Bom, como este texto começou a ser escrito durante uma palestra, reunião, dinâmica de grupo, o diabo que for, e estes sempre têm uma pausa (como todos os suplícios da vida, sempre é feita uma pausa para que o “torturado” não se acostume com o tormento e torne a “tortura” ineficaz), achei interessante que este texto escapista também fizesse uma pausa.
Voltando à história:
“O gato traduziu literalmente o que a roupa disse para o cachorro (na verdade, a roupa só disse um “O mesmo de você!” atravessado, mas alguém aqui acha que o gato ia perder a oportunidade de sacanear o cachorro? Bom, não vou dizer o que o gato realmente disse por ser impróprio para o horário, mas posso garantir que ele traduziu perfeitamente o que a roupa quis dizer...). O cachorro pensou em estraçalhar o gato, mas este foi mais rápido, apresentou os documentos e o lembrou que era membro de corpo consular e que se algo acontecesse com ele, o cachorro teria sérios problemas. Um grupo de ratos que passava por ali resolveu fazer platéia para assistir a briga, embora nenhum deles entendesse o que o cão, a roupa e o gato diziam. O cão respirou fundo (praguejou mais uma vez contra a roupa), tentando se acalmar. A roupa respondeu novamente o cachorro (o gato traduziu do jeito dele), os ratos começaram a atiçar o cachorro (embora este não entendesse o que eles diziam) e a coisa foi ficando cada vez mais feia”.
“Nisto, apareceu um pato filósofo que, ao ver a multidão, resolveu tentar acabar com a briga. O pato fez o mais formidável discurso pela paz de todos os tempos, capaz de levar às lágrimas o próprio Diabo. Uma pena que nem o Diabo, nem mesmo os ratos, o gato, o cão e a roupa entendiam esperanto”.
“Um corvo americano que voava por ali resolveu parar e assistir a discussão. É um mistério (talvez não tão misterioso assim) o que passou na cabeça do corvo, só se sabe que ele saiu murmurando alguns números e com uma calculadora financeira debaixo do braço. Seguiu ele uma pomba inglesa, depois de “ter feito caquinha” em cima do pato. Talvez fosse um caso de amor antigo, quem sabe”?
O fim da história foi seguinte:
O cão sacudiu e rasgou a roupa, e, em seguida, deitou em cima. A pomba se casou o corvo, o gato se mudou para um cofre suíço junto com os dólares que o corvo ganhou com a briga (parece que ele organizou apostas e cobrou ingresso) e os ratos voltaram aos seus afazeres, tendo que trabalhar dobrado para pagar o que deviam para o corvo.
“E o pato? Bom, o pato assinou um contrato com o corvo para escrever um livro sobre a paz, que seria traduzido para o inglês por alguma anta letrada. No fim, o livro ficou muito diferente do original, mas foi um sucesso de vendas. Como o corvo não pagou os direitos autorais do pato e este não tendo dinheiro para pagar dívidas, foi fazer um “bico” em um restaurante. Acabou servido com laranja”.
Surpreso com o final? Esta foi uma simples história de um cão que encontra um trapo na rua, o sacode e deita por cima. Nada mais. Podemos concluir que a palestra foi um sucesso, com todos os ouvintes babando uns nos ombros dos outros e um doido varrido escrevendo garranchos sobre um cão que encontra uma roupa, fazendo com que o palestrante pensasse que pelo menos alguém prestou atenção e fez anotações. E tem gente que vai achar este tema ótimo para dinâmicas de grupo (não!!!).

domingo, maio 07, 2006

Lorem ipsum dolor

Lorem ipsum dolor

Lorem ip sum do lor
Nelore ístmico do odor.
Lopes si fumô dotô
Lore it’s sum honor.

domingo, abril 30, 2006

O ponto


Era uma vez um ponto. Um ponto comum em um lugar comum de uma comunidade comunista comum em que toda a legislação e regras de suas leis anárquicas eram criadas e cumpridas por um único ponto, que era ele mesmo. Era apenas um ponto recolhido à insignificância pontual de sua unicidade. Era uma época feliz, onde não haviam impostos, sogras, chefes, empregados, cunhados, genros, ladrões, políticos, e ninguém chegava atrasado por causa de trânsito. Primeiro, porque não existia lugar algum para se chegar. Segundo, porque não havia trânsito. E terceiro, porque não existia nem tempo para se poder chegar atrasado.
Certa vez, pouco antes de o tempo nascer, o ponto pensou e constatou que existia. E, ao constatar isto, percebeu que não significava nada. Mas nada era amplo e, por só existir ele e nada, se achou importante, mesmo sendo tão insignificante, pois pelo menos era alguma coisa.
Se achando importante, pensou que nada era nada a não ser vazio e começou a andar. Cada passo que andava, nascia um outro ponto. E ao continuar andando, deixou de ser ponto e se tornou reta. Mudou de direção e se tornou curva. Curvando, viu aquele bando de pontos e resolveu que iria seguir aquela linha até encontrar seu início. Achou que deveria dar o nome do início de Futuro, por não achar nome melhor e por não ter o que fazer. Chegando ao início, verificou o Futuro era também um ponto.
Isto o apavorou. Sabia que a única coisa que o tornava importante era ser único. Então ele comeu o Futuro. Olhou e viu que sempre havia um outro ponto no lugar do início. Pior, que existia milhares de pontos atrás deles, os quais chamou de Passado. Neste momento, o Tempo nasceu. O ponto se apelidou de Presente, para se manter diferente e resolveu comer todos os outros pontos, Passados e Futuros. Mas conforme andava, o Passado surgia no seu lugar e o seguia. Correu atrás do Futuro que, apavorado com a voracidade do Presente, correu em todas as direções. E pra cada Futuro que o Presente devorava, havia milhares de outros Futuros nos quais o Presente jamais poderia alcançar.
Então, o Presente passou a escolher qual Futuro iria devorar, mesmo que às vezes tivesse que engolir um Passado como aperitivo.
Agora, por que estou contando esta história? Por nada, porque estou escolhendo que futuro devorar? Nada. Só escrevi esta história porque existem sogras, chefes, empregados, cunhados, genros, ladrões, políticos, e um puta trânsito que me torram a paciência a cada momento que passa e principalmente por ter nada para fazer. Acho que preciso procurar o que fazer antes que me torne escritor.

Cara alegria,


Minha cara alegria,
O que você diria
Se eu dissesse que te chamaria
Para simplesmente ouvir
Um lírio declamando poesia?

O que você faria
Se eu te chamasse um dia
Para escutar as pedras a espreguiçar,
Enquanto a noite finda,
E não nasce o dia?

Mas não pergunto.
Não falo
Me escondo em mim mesmo
Dentro de um castelo de pedra e gelo

Imaginando como seria,
Se eu te amasse um dia,
Enquanto choro por dentro
E por fora rio.

Meu nome em grego é coragem,
Mas ao te ver,
É tudo que me falta,
E de grego, viro tupi, sem o acento.
E agouros tristes choro
Na antítese de teu nome, alegria

Sem julgamentos,
Sem medo.
Antes que me tranque novamente
Em uma casa de areia e névoa
Escondida em meu pensamento,
Inconstante como o vento
Pergunto eu, timidamente,
Se eu poderia gostar de você,
Minha cara Alegria.