O Urubu Lateralizado" (Revisado)
Urubu que Corre de Lado
veio correndo pela estrada.
Lateralmente conheceu
Rapidamente na calçada
Um Gato Chat Chateado
Discutindo com uma Jamanta desenfreada
A falta de um “Desolé” da desembestada.
Urubu que Corre de Lado
Veio escorrendo pela estrada.
Diagonalmente passou pelo buraco
Penas sujaram-se no charco
Fedendo forte, qual sovaco
Urubu que Corre de Lado
Veio escafedendo pela estrada.
Mas que meleca!
A meio caminho se estrepa
Numa estripulia de uma Pedra Careca
E de repente se envereda
Para fora da estrada
E cai de cara prostrado.
Urubu que Corre de Lado
Que vinha correndo pela estrada
Agora está caído na praia.
Bico na areia,
Olho na toca alheia,
A Ave conhece
Um siri que vagueia
“Siri Sirigaita Seriema Seriguela, A seu dispor, meu senhor.”
“Vendemos Gato por lebre
Vaca com febre,
Gambás que não fedem,
Papo de jacaré amarelo
Tinta Amarelo-jaca verde-sangue
Gnomos de mangue,
Anões de jardim,
Anteras de quintal,
Glutões de quindim
E etc e tal”
Falou-lhe o crustáceo,
Oferecendo psitacídeo por galináceo.
Urubu que corre de lado
Com a cara atolada
Que de bobo não tem nada
Se empirulita dali apressado
Pois pra quem come calango,
Urubu também é frango.
E assim na manhã
Sua jornada se acaba
Sem nenhuma romã
À beira da estrada,
Mas com jabuti comendo jabuticaba.
O Urubu que corre de lado
Está adormecendo na Estrada
Ao lado do umbu, repousa o papo
Papeando e papando
Um fino repasto de papo de pato,
rabo de sapo,
e sapato de rato,
Empapado em um jornal papal,
Com bula e bulaço e um sermão moral.
Enquanto o gato “chat” chateado
Chateia e xaropa com o papo
Pássaros que passam passeando
Pela ladeira da ladina raposa
Que lapeia pela trilha pastosa.
No pasto onde lapeiam-se os burros,
Urubu que corre de lado
Está voltando pela estrada
Reencontra a Pedra Careca
E lhe coloca um musgo em sua testa
Ficando a rocha pronta pra uma festa.
Passa adiante e vê o buraco,
Limpa c’as penas o charco
Relembrando o siri velhaco
Reencontra o Gato Chat Chateado
Ainda praguejando na estrada
Dizia que a jamanta que o fizera chato,
Fugiu fazendo careta
Com a amante que era uma carreta,
Correndo feito o capeta.
E o deixara achatado, miando “Diable!”.
“Excuse moi, je ne parle pas Français”
Grasnou-lhe o Urubu um tanto zombeteiro
E o arrastando ao faceiro canteiro,
O gato chato e chateado,
dá-lhe um banho enlameado
e o enfastiado fica relaxado.
Apressado de repente,
pela tangente
Urubu sartou de lado
e se foi mais um bocado,
Despedindo-se de todos, educado.
E assim, na rua ao lado,
Se acaba o poema,
Sem medir com trena
Nem citar nenhuma ema,
Mas mesmo sem saber com que fado
O urubu foi premiado,
Se sabe de fato
Que não é só siri que anda de lado